Após briga judicial, crianças voltam a ter aulas presenciais no Rio de Janeiro

Escolas da rede pública e privada estão liberadas para receber os alunos

           

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Gosto por demais quando especialista diz que as Escolas tem de ser reabertas desde que os protocolos sejam executados... Bem assim mesmo: FORA DA REALIDADE. Muitos especialistas e gestores públicos, dizem estar preocupados com os mais pobres. Se assim pensassem não deixariam que os mais pobres estivessem nessa situação de vulnerabilidade social, independentemente de pandemia. Quero ver se nas "escolas de pobres" todos os protocolos serão respeitados e se todas as escolas estão preparadas, física e estruturalmente, para que todos os protocolos sejam executados no retorno às aulas no momento mais crítico dessa tragédia. Volta gradual não resolve o problema e pode trazer ainda mais desigualdades num cenário já tão desigual para as crianças e adolescentes empobrecidos ou em vulnerabilidade social. A merenda escolar é parte do direito à Educação de qualidade, promovida num espaço de desenvolvimento sadio e seguro para todos(as) da comunidade escolar. Ela não deveria substituir a alimentação que toda família deveria prover, de forma digna, aos seus integrantes. A questão não é só a fome (já é terrível o suficiente). A questão também parte das crianças e adolescentes voltarem a utilizar o transporte público causando mais aglomeração, levando nessa esteira a maioria dos professores, merendeiras, administrativos e todos os demais parceiros que precisam entregar os insumos necessários para que as Escolas funcionem. Se o transporte público aqui no Rio já está em plena aglomeração e proliferação do vírus, imaginem quando todas essas pessoas voltarem às Escolas. Querem tentar mascarar o problema da extrema pobreza e de insegurança alimentar das famílias brasileiras com merenda escolar? Anos escolares se recuperam com ensino integral e Educação de qualidade! Problemas psicológicos teremos todos(as) que passam por essa pandemia e teremos de ter auxílio para tratamento dos transtornos ocasionados ou que surgirem. Crianças e adolescentes, em condição de vulnerabilidade social, talvez possuam todos os transtornos psicológicos que se possa imaginar mesmo antes da pandemia. Muitos(as), além de verem pessoas da família e de amigos(as) morrerem ainda veem e vivem cotidianamente todas as formas de violência que se possa imaginar. Poucos parecem estar preocupados com essa realidade social histórica pré-pandemia. Cadê os psicólogos e assistentes sociais que deveriam estar nas Escolas, faz tempo, e que só agora a Lei determina? (Lei nº 13.935/19 - quero ver ser cumprida). Tenho até medo de pensar, não de expressar, que tais especialistas estejam defendendo o retorno às aulas - com a retórica de transtornos psicológicos e da importância da sociabilidade de crianças e adolescentes no meio escolar -, para um segmento específico dos tecidos médios altos e abastados de realidade de Escolas Particulares de ponta. Problemas psicológicos e de sociabilidade, neste momento específico, são problemas verificados praticamente com todas as crianças e adolescentes e não apenas nos segmentos citados, onde os pais estão com dificuldades de lidar com filhos(as) em suas moradias dignas e/ou que não conseguem desenvolver a atividade laborativa com essa situação de Escolas fechadas. Alguns especialistas também fazem comparações, no mínimo esdrúxulas, com o que se quer fazer com as Escolas no Brasil com o que os países desenvolvidos definiram às Escolas nos diversos momentos da pandemia (ondas da pandemia). Mais um vez falta de realidade e até mesmo de rigor científico para o embasamento de suas declarações. Questões relacionadas à sobrevivência das Escolas Particulares, remuneração de seus professores e dos demais empregados, neste momento, partem também do auxílio econômico que deveria ser prestado pelo Estado. Mais uma vez digo e refirmo: a pandemia só antecipou a eclosão e/ou explicitação do "drama social brasileiro". A coisa é tão mais trágica, que um dia desses o Sr. Paulo Guedes, Ministro da Economia, bem como o Presidente da Caixa Econômica Federal, disse não saber, com certo espanto, que existiam tantos(as) "invisíveis" no Brasil. Poderia citar qualquer um da trinca dos grandes Mestres da Educação brasileira, mas fico com Darcy Ribeiro: "a crise da Educação no Brasil não é uma crise; é um projeto". Não me contenho, tenho de compartilhar o pensamento do Mestre Paulo Freire que diz muito sobre o que estamos discutindo: "seria uma atitude ingênua esperar que as classes dominantes desenvolvessem uma forma de Educação que proporcionasse às classes dominadas perceber as injustiças sociais de maneira crítica". Precisamos assegurar e garantir direitos! Que o Estado - junto a tantas organizações sociais da sociedade -, dê alimento a quem tem fome! Educação, saúde e vida para além da merenda... Volta às aulas com vacinação em massa e com todos os recursos que a Escola Pública necessita para a promoção de uma Educação de qualidade!


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